Memorial – Pedro Azevedo

Pedro Azevedo, criador do Memorial IFBA Ilhéus

“Apesar de todos os desafios do caminho, guardo memórias extraordinárias e um eterno agradecimento a cada pessoa que fez parte da minha história no IFBA Ilhéus! ✨” – Pedro Azevedo. IFBA Ilhéus, 2026.

Período de vínculo : 05/2023 – atual.
Gênero: Masculino.
Perfil cultural e identitário: Baiano, ilheense, artista, little monster e amante da zueira.
Categoria: Estudante.
Modalidade: Ensino Médio Integrado.
Curso: Informática – TI.

Sobre:

Pedro Azevedo é estudante do ensino médio integrado no curso de Informática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – Campus Ilhéus e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação para o Ensino Médio (PIBITI-EM) do projeto “Painel e Memórias: Construção de um portal virtual para fortalecimento da identidade do IFBA campus Ilhéus” e foi o responsável por desenvolver o portal “MEMORIAL VIVO – IFBA Ilhéus”.

Olá, querido(a) visitante! Bom, acredito que não será mais necessário fazer minhas apresentações porque tem, literalmente, um texto aqui em cima dizendo quem eu sou e o que faço, por enquanto, na minha vida. Confesso que fiquei durante muito tempo com um bloqueio criativo para escrever meu memorial mas depois de tanto queimar meus neurônios eu pensei que seria mais interresante começar pelo começo (rsrs)🤪. Espero que a partir da leitura deste memorial eu consiga mensurar o quanto essa intituição ficará tatuada para sempre no meu coração. Enfim, vou deixar de enrolação e começar o meu monologo.

No final do período de 2022, quando eu estava concluindo o nono ano, a coordenadora da minha escola foi até a sala avisar que haviam começado as inscrições para uma instituição chamada IFBA. Eu não fazia a menor ideia do que se tratava, mas, naquele dia, ouvi diversos elogios sobre a escola, sobre os alunos e sobre como minha vida mudaria ao estudar lá — inclusive com a possibilidade de receber auxílio financeiro. Fiquei animado e fui pesquisar mais. Notei que já tinha visto diversos estudantes usando a farda da instituição, embora sempre me perguntasse de onde era. Imaginava, inclusive, que fosse uma escola rural. Entrei no portal de inscrições do IFBA e me inscrevi no curso técnico em Informática como primeira opção. Não estava com muita expectativa, pois acreditava não ser suficientemente inteligente para ingressar em uma escola daquele nível, ainda mais considerando o período sem aulas presenciais durante a pandemia. Já tomado pela ansiedade, aguardei até que a lista da primeira chamada finalmente saiu. Eu não esperava nada, mas, ao rolar a lista dos aprovados e ver meu nome, gritei com todas as minhas forças: MAAAAAAAAAAÃE, EU PASSEI!

O início de 2023 foi tenso 😔 (rsrs). Eu já estava matriculado no curso de Informática, mas enfrentava ansiedade e tédio, pois as aulas só começariam no dia 8 de maio. Antes do início letivo propriamente dito, o IFBA realizou a “Jornada Discente” para apresentar a burocracia, a infraestrutura e a estrutura dos cursos aos novos estudantes. Não consegui nem dormir direito. No primeiro dia, pulei da cama, arrumei-me e fui feliz acompanhado de amigas que também tinham sido aprovadas no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – Campus Ilhéus (pense no quanto eu estava me achando). Logo nos primeiros dias, me apeguei às poltronas do auditório que, em meio ao tédio das palestras, tornaram-se minhas melhores amigas.

Até então, tudo corria bem — ou quase. Quando menos percebi, já estava fazendo “barraco” com o servidor Maurício durante sua apresentação. O motivo era que o IFBA ainda não havia enviado a lista de matriculados ao SIT (Sistema Inteligente de Transporte de Ilhéus) para a renovação e recarga das carteirinhas de transporte estudantil. Os estudantes já demonstravam insatisfação no auditório, pois muitos não tinham mais recursos financeiros para deslocamento até a escola, que fica no meio do mato 😤. Ou resolviam o problema com urgência, ou teriam que custear nossa ida à jornada discente (oh, ranço de mim do passado, viu. Mas fazer o quê, criança, né?). Após muita insistência, a instituição enviou a lista antecipadamente.

Já adaptado à rotina do IF 🤪 (rsrs), acompanhei as primeiras semanas de aula e percebi que os desafios surgiriam mais rápido do que imaginava. Conteúdos das disciplinas de Matemática, Física e Química — que eu nunca tinha visto na vida — eram apresentados pelos professores como mera “revisão”. Foi aí que vivenciei, pela primeira vez na minha trajetória acadêmica, um momento de desespero por causa dos estudos. Como nunca havia tirado notas baixas, a ideia de tirar uma nota ruim não me agradava. E a realidade confirmou meus receios: tirei 0,25 na primeira avaliação individual de Matemática. Chorei bastante, mas o professor ofereceu uma oportunidade de recuperação… na qual tirei 2,9. Embora em tese essa nota servisse para me salvar da berlinda, hoje já me acostumei com a lembrança dessa marcante vivência traumática.

Apesar dos momentos difíceis, guardo doces lembranças do meu primeiro ano no ensino federal. Lembro-me das primeiras notas altíssimas, de andar pela sala com orgulho e do sentimento de realização ao receber elogios e até críticas construtivas nos seminários. Recordo-me com carinho de apresentações marcantes. No dia do meu aniversário, por exemplo, em uma apresentação de Português sobre figuras de linguagem, meu grupo recriou uma cena do musical A Pequena Sereia. Cantei caracterizado a música da vilã Úrsula, apresentação que rendeu elogios e vídeos gravados pela turma destacando minha atuação esplendorosa 🫣. Em outro momento, durante uma visita técnica à “Fazenda Capela Velha” para gravação de um vídeo sobre produção de chocolate, atuei com tanto entusiasmo que acabei pisando em falso em um desnível da estrada de barro e caí. Para disfarçar o constrangimento, fingi um desmaio de dois segundos para parecer parte da cena. A queda me lesionou de verdade e exigiu adaptar o roteiro para incluir o imprevisto. No fim, o vídeo conquistou o segundo lugar entre todos os trabalhos do primeiro ano 💅.

Também no meu primeiro ano, passei a integrar o grupo de teatro do campus. A iniciativa começou como uma ideia das professoras Juliana Gomes Menezes (Língua Portuguesa) e Érica Ocké (Artes) para a SECONE 2023, abordando o tema “Racismo Ambiental”. A peça, intitulada Desaguar Amor para Aguar Esperança, retratou os impactos das enchentes do Rio Cachoeira na vida dos moradores das comunidades de Vila Cachoeira, Banco da Vitória e Salobrinho, em Ilhéus, após as fortes chuvas de dezembro de 2023. A proposta deu origem a um grupo fixo de teatro no campus, mais tarde batizado de CEO – Companhia de Teatro Érica Ocké, vinculado ao Núcleo de Arte e Cultura (NAC) do IFBA. Com o elenco, realizamos diversas montagens no auditório, entre elas: Quem Dá Mais (baseado no conto Maria, do livro Olhos d’Água, de Conceição Evaristo); Do Dono da Terra Sentado ao Sol: Um Diálogo com Jorge Amado (crítica à Ilhéus de 2024 em comparação à de 1925, inspirada na obra Gabriela, Cravo e Canela); e NUM(A) ERA MELHOR (espetáculo focado na valorização da herança africana diante do racismo estrutural).

Desde as primeiras semanas, eu desejava participar de projetos de extensão, mas descobri que essa oportunidade só estaria disponível a partir do segundo ano. Embora desapontado, procurei ter paciência. No ano seguinte, durante uma palestra sobre a greve dos docentes em 2024, a professora Anallenna Guedes (Língua Inglesa) me convidou para ser bolsista em um projeto desenvolvido em parceria com a professora Juliana Gomes. Fiquei surpreso, pois não me considerava forte em inglês, mas aceitei imediatamente, mesclando sentimentos de alegria e apreensão. O projeto foi intitulado “Produção de Caderno de Atividades Didáticas de Línguas e Áudio Drama para o Quilombo Morro do Miriqui: uma abordagem antirracista e de valorização de saberes ancestrais”. Com o tempo, percebi que a iniciativa ia além do ensino de idiomas, tratando da literatura como ferramenta de valorização cultural, promoção da identidade e educação antirracista. A iniciativa teve continuidade em 2025 sob o título “Educação literária afro-brasileira e afro-americana: contribuições para a formação antirracista no Ensino Médio”, proporcionando leituras, debates e aprendizados enriquecedores para mim e para os demais estudantes envolvidos.

Não posso deixar de mencionar o Ativa IFBA, que consiste em um conjunto de atividades de lazer e integração entre alunos dos cursos técnicos integrados, servidores e a comunidade do campus. Trata-se da nossa intersérie, na qual participamos de desafios que culminam em uma grande gincana ao final de semana — o evento mais aguardado pelos estudantes. No meu primeiro ano, integrando a equipe Laranja, o resultado foi desastroso e ficamos em último lugar. Contudo, no segundo ano, assumi a liderança da equipe determinado a buscar a vitória. No sábado do Ativa 2024, após momentos de cansaço e expectativa, veio o anúncio oficial de que a equipe Azul era a campeã! Foi gritaria, foi pulo, foi abraço, foi muita euforia. E, para a surpresa de zero pessoas (rsrs), no Ativa de 2025 fomos campeões novamente. Outra cor, mas o mesmo grupo, com os mesmos integrantes e com a mesma garra, consolidando essa como uma das edições mais emblemáticas da minha jornada. Infelizmente sairei da instituição sem sentir o gostinho de ser tricampeão, pois infleizmente nesse ano de 2026 meu curso ficou em 2º lugar. Mas bicampeão é bicampeão, né pai.

Nesse período, decidi vencer um receio antigo e ingressar no esporte. Devido a uma experiência negativa de discriminação e bullying durante um treino de vôlei no primeiro ano, eu havia me afastado do meio esportivo do campus. Entretanto, ao me aproximar dos praticantes de judô — em sua maioria colegas do curso de Informática —, consegui desconstruir esse bloqueio e passei a fazer parte do time, onde encontrei pessoas acolhedoras e talentosas.

Em 2025, realizei também minha primeira viagem institucional. No dia 3 de setembro, participei da assembleia discente local para debater desafios de permanência acadêmica e eleger representantes do Campus Ilhéus para o EnCotas (Encontro de Estudantes Cotistas do IFBA) e o FBAE (Fórum de Estudantes Beneficiários da Assistência Estudantil do IFBA), realizados no IFBA Campus Seabra. Inicialmente, não pretendia me candidatar, mas, ao notar a ausência de representantes do meu curso e a atuação pouco efetiva do grêmio estudantil da época, decidi apresentar minha candidatura. Após defender minhas propostas em um minuto, fui o candidato mais votado da assembleia. No dia 30 de setembro, viajei para Seabra com a comitiva do campus. Nos dias de evento, cumpri minhas atribuições ao relatar demandas no grupo de trabalho sobre Políticas Afirmativas de Gênero e Sexualidade, além de aproveitar os momentos livres para fortalecer vínculos com colegas e participantes de outros campi. Saudade desses dias.

Encontas IFBA Seabra 2025

Outra coisa que sempre esteve no meu coração foi o IF Forró. Ele sempre me fez entender o quanto amo dançar, o quanto amo o forró, o Nordeste e a minha Bahia! Todos os anos, desde 2023, venho participando ativamente, sempre ali na linha de frente 🪗💃. Mas o IF Forró de 2025 foi ainda mais especial, pois, além da nossa tradicional festa junina do campus, comemoramos no mesmo dia os 15 anos do IF! Foi marcante demais fazer parte dessa data histórica, algo que vai ficar guardado para sempre na minha memória. Além disso, foi justamente nos ensaios da quadrilha que construí amizades fortíssimas com pessoas incríveis que compartilham desse mesmo amor por dançar e viver a nossa cultura nordestina.

Para além disso, no finalzinho do meu penúltimo ano, tive a honra e o prazer de ser convidado para um projeto de iniciação em desenvolvimento tecnológico com o objetivo de criar o site memorial do campus. Me senti extremamente lisonjeado! Confesso que não foi uma tarefa nada fácil — foram noites em claro e muito trabalho duro —, mas não me arrependo de absolutamente nada. Sinto uma gratidão enorme por ter feito parte de um projeto tão grande e significativo para a nossa instituição.

Bom, acredito que já falei bastante sobre a minha trajetória (rsrs), mas não poderia deixar de enfatizar o quanto o IFBA atravessou a minha vida. Nunca mais serei a mesma pessoa depois de tudo o que vivi aqui. Foram anos de lutas, provas pesadas, trabalhos árduos e noites sem dormir, mas também de infinitas alegrias, convivências marcantes e amizades maravilhosas que levarei para o resto da vida. Já neste meu último ano, ao me integrar ainda mais com o pessoal da antiga ITI 31 — que agora se uniu para formar a nossa querida ITI 41 —, tive a oportunidade de me aproximar de mais pessoas incríveis que somaram muito na minha jornada.

Preciso destacar também o quanto essa instituição me ajudou a ir além da formação técnica em Informática: ela me moldou como cidadão, tornando-me uma pessoa mais consciente, crítica e politicamente posicionada no mundo. Deixo aqui meus parabéns e meu agradecimento a todo o corpo docente e técnico-administrativo; é no dia a dia que entendemos o porquê de o IFBA ser uma instituição de excelência. Agradeço do fundo do coração a todos os professores e professoras que caminharam conosco até aqui. O que mais me enche de orgulho e felicidade são as conexões reais que levarei daqui para a vida. Sou infinitamente grato por ter tido a oportunidade de viver e fazer história neste lugar! ❤️✨

Embora ainda não totalmente finalizada, sei que minha trajetória no IF foi muito intensa, proveitosa e que aprendi muita coisa nela. Aprendi que tenho que fazer minhas tarefas com antecedência, que não se pode ficar rindo no volume de uma JBL no corredor da diretoria acadêmica, que temos que dar um toque nos relaxados nos trabalhos de sala, que às vezes temos que nos levar menos a sério, que não me arrepension das vergonhas que passei, pois, sem elas, eu não entenderia o que precisava melhorar e, o mais importante, que temos que dar mais valor a quem está ao nosso lado. Por isso, nesse finalzinho do memorial, venho aqui deixar registrado todas as pessoas que me proporcionaram dias extraordinários nessa incrível instituição que, com certeza, nunca sairá da minha memória e, para essas pessoas, desejo tudo de bom e de melhor, além do meu eterno agradecimento. Obrigado, meus colegas e amigos Anatha, Andressa, Alexia, Aida, Bianka (Bi), Emile, Evelyn, Felipe, Laina, Larissa (Lari), Maria Madalena (Lena), Rayanne (Ray), Rouglas, Thaiane (Thai), Samuel, Fabiane (Fabi), Isabelly (Belly), Hilza, Kelly, Winny, Tia Geisa, professora Kaline Benevides (Kaline Genipeipou), professora Cláudia Ribeiro, professora Maria Isabel, professora Karine Prado, professora Anallenna Guedes, professora Juliana Gomes, professora Érica Ocké, professor Enexandro Nobre (Enex), professora Graziela Ninck, professor Rodrigo, professor Romeu, professor Homero, professor Regilan, professor Cléber, professora Cíntia Paula, professor José Gustavo (Zeg), Catra, Lorena, Tia Raquel, Sensei Itamar Kruschewsky, Marquito, Tia Marcele, Maurício, diretora Gabriela (Gabi) e todos os outros servidores que tão são necessários.

Agora, só o futuro nos espera. Obrigado do fundo do meu coração IFBA Ilhéus!

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